segunda-feira, 4 de março de 2013

Apenas um sonho...



Estou aqui escrevendo o que pode ser apenas o relato de um sonho ou pesadelo na vida de alguém, não se pode dizer que não é real ou fantasia criada em uma mente, ou o que pode ser parte da psique de alguém, pode ser uma nova versão do complexo de Electra ou apenas um mal entendido, há muitas coisas em que eu posso acreditar e relatar do que aconteceu nesse breve sonho, mas não sei como acaba essa jornada...
Era uma manhã de verão, uma mulher caminha pela rua em direção ao mercado, muitas pessoas podem se encontrar neste lugar, muitos amigos e vizinhos, mas esta mulher estava ali só para presenciar e apreciar o que poderia ser o início de uma amizade. Ela estava no corredor de frutas e legumes, olha para o lado e observa uma garota de seus 20 e poucos anos, quase da mesma idade que seu único filho, se aproxima da garota e percebe algo de diferente, ela não sabe o que é, mas nota algo de especial. Faz uma tentativa de conversa, puxar certos assuntos e por incrível que possa aparecer (porque nem sempre acontece desse modo hoje em dia, as pessoas tendem a desconfiar das outras), as duas conversam coisas distintas e riem muito. Logo aquele encontro iria se tornar o inicio de uma bela e estranha amizade.
Em outro ponto da cidade, o rapaz, filho daquela mulher, passeia pelo parque e por um desvaneio do destino se esbarra com aquela garota que a mãe encontrou no mercado, a garota estava ali, sentada, aluada com os pensamentos e o rapaz se aproxima, após uma longa conversa e investidas, se apaixona por ela. Eles mantêm um casinho, todo final de semana se encontram, sem que a mãe e nem ninguém saiba quem é ela.
Em outra ocasião, ela se encontra com o marido dessa mulher que se tornara sua amiga, justamente no mesmo lugar onde ele trabalha, ela acabara de ser contratada, sendo com uma garota bonita e sexy, ele, um homem casado e com uma vida sexual bastante frustrada, pensa em se aventurar, não pensando nas conseqüências. Ele mantém um romance secreto com esta mulher que se tornou amiga de sua esposa e enamorada do filho.
A história por trás dessa história está em que a garota, protagonista desse sonho, é fruto de um acaso que a esposa tinha com outro homem. A esposa não sabia da existência dela, quando se passara pela cabeça que a mesma tinha morrido ao nascer e esta tinha sido arrancada da verdadeira existência e se tornado parte da vida de outra família, um tanto problemática.
E em certo dia, esta garota some dos olhos de todos, da esposa que é sua amiga, do esposo que é seu amante e de seu filho que é seu namorado, uma história bastante complicada. Esta garota, sem notícias por dias, aparece pela triste notícia que foi encontrada usando drogas, os três ficam preocupados e detalhe que estavam envolvidos com a mesma pessoa que era filha dessa mulher que teve um caso com outro homem no passado.
Histórias como esta acontece ou está acontecendo em alguma parte do mundo, famílias inteiras sendo destruídas ou se destruindo por erros cometidos no passado. Se parece até cena de uma novela ou de um programa sensacionalista, tudo isto foi obra criada por uma mente humana, não por uma mente doentia e vil, mas simplesmente criada, um sonho ou pesadelo. Os desejos humanos de acreditarem no que é real ou fantasia podem estar ligados a sua insegurança ou medo de se envolver e perder o ser amado, não sei se é a melhor interpretação a essa fato, mas sei que isto aconteceu dessa maneira pelo sonhador. O que realmente aconteceu com aquela garota que perdeu devidamente a vontade de existir, pode ser que ela tenha descoberto toda a história, toda a trama sem ao menos ter tido a noção do que estava realmente envolvida. O medo e a dor da existência se encontram na protagonista dessa história. O ser sente receio de sua existência quando busca e acredita que tudo o que viveu e construiu é uma farsa, um caminho de conto de fadas e se vê como um substrato de uma grão de mostarda perdido no universo. O que constrói tudo isso é o medo.
Quem sou eu? Sou apenas um relatador de sonhos, um explorador dos pensamentos, uma fagulha que analisa comportamentos, enfim, um detetive do conhecimento e das profundezas do ser...

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Um conto para o fim do mundo




Mais uma vez o andarilho noturno caminha para o desconhecido, louvando a dor e a angústia daquelas que sentem o desespero de um dia tudo acabar, tudo o que construíram ou não, o que conquistaram ou não, as paixões agora só são angústias para aqueles que sonham a partir de agora, o homem sente a dor de não ter encontrado respostas e eu sento diante do abismo e contemplo tudo isso.

Não sinto remorso, já caminhei por vários mundos, já me entoquei em várias ilhas, olhei a vários abismos. Um andarilho nunca está só quando está diante de seu abismo, encontra suas respostas, não as respostas da humanidade, mas suas próprias e quando pensa que não, se sente realizado, completo.

Não contemplo aqueles que contemplam a felicidade plena, pois essa nunca vai existir, a dor faz parte de nossa natureza e não uma mera ilusão, nós caímos sempre no mesmo buraco, mas sempre nos erguemos diante do abismo e gritamos que não desistirmos tão fácil, por isso o homem necessita do seu abismo.

Mas o que é o fim do mundo? É o fim de tudo? O fim das alegrias? Nada disso, o fim do mundo somente está naqueles que contemplam o fim, eu contemplo a dor e isso é bem diferente. Eu me sinto vivo perante a isso, meu espírito é livre para pensar dessa forma. O fim da raça humana só vai existir, quando destruirmos nosso próprio planeta, nossa própria raça e sua vida.

Ao andarilho que caminha entre mundo e entre as emoções alheias, entre discórdias do próprio ser, não aconselho caminhar entre as minhas palavras, mas entre suas próprias conclusões, o andarilho é um filósofo, indo em encontro ao desconhecido.

Não tenham medo, ainda não é o fim, ainda não há permissão...

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

La herencia Valdemar

Uma verdadeira obra prima baseada no universo de H.P. Lovercraft, que conta a história de Luisa Llorente, perita em tributação de construções antigas, se mudou para a misteriosa mansão Valdemar para coordenar um inventário de posse de bens, e desapareceu. Maximilian, presidente da companhia que Luisa trabalha, contrata os serviços do detetive Nicholas Tramel para encontrá-la. Mas esse não é o primeiro desaparecimento.

Para os que não conhecem este filme e nem as obras de Lovercraft é uma boa pedida, para os que já conhecem, apreciem.



Abraços do Andarilho.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

O LIVRO



MINHAS MEMÓRIAS ESTÃO muito confusas. Há até mesmo muita dúvida de onde elas começam; pois por vezes sinto imensuráveis vistas de anos se estendendo atrás de mim, enquanto que em outros momentos parece que o momento presente é um ponto isolado num infinito cinzento e sem forma. Não estou nem certo de como estou transmitindo esta mensagem. Enquanto sei que estou falando, tenho uma vaga impressão de que alguma estranha e talvez terrível mediação venha a ser necessária para suportar o que digo aos pontos onde desejo que ela seja ouvida. Minha identidade, também, encontrase incrivelmente toldada. Parece que sofri um grande choque: talvez devido a algum resultado monstruoso de meus ciclos de única e incrível experiência. Todos esses ciclos de experiência, naturalmente, emanam daquele livro dominado pelas traças. Lembro-me de quando o encontrei — num lugar mal iluminado próximo ao rio negro e oleoso onde as brumas sempre habitam. 
Aquele lugar era muito antigo, e as prateleiras cheias de volumes apodrecidos até o teto percorriam infinitamente quartos e alcovas internas, sem janelas. Havia, além disso, grandes pilhas informes de livros no chão e em caixas de madeira, e foi numa dessas pilhas que encontrei a coisa. Nunca lhe soube o título, pois as páginas iniciais estavam faltando; mas ele caiu aberto na altura do fim, e me deu um vislumbre de alguma coisa que deixou meus sentidos em polvorosa.
Havia uma formula — uma espécie de lista de coisas para fazer e dizer — que reconheci como sendo alguma coisa negra e proibida; alguma coisa que eu havia lido antes, em furtivos parágrafos de nojo e fascinação misturados, escritos pela pena desses antigos e estranhos guardiões dos segredos do universo cujos textos decadentes eu adorava assimilar. Era uma chave — um guia — a certos portais e transições com a quais místicos sonham e sussurram desde a juventude da raça, e que levam a liberdades e descobertas além das três dimensões e dos reinos da vida e da matéria que conhecemos. Por séculos não havia qualquer homem recombinando sua substância vital ou sabido onde encontrá-la, mas este livro era realmente muito antigo. Não era trabalho impresso, mas da mão de algum monge semi-louco, havia traçado aquela ominosas frases latinas em letras unciais de assustadora antigüidade.
Lembro-me de como o velho olhou-me de soslaio e riu à socapa, e fez um curioso sinal com a mão quando o levei embora. Recusou-se aceitar pagamento por ele, e só muito tempo depois eu soube por quê. Ao correr para casa por aquelas estreitas, tortuosas, brumosas ruas e beira-mar tive uma aterrorizante impressão de ser furtivamente seguido por pés suavemente calçados. As balouçantes casas centenárias em ambos os lados pareciam vivas com um frescor e uma malignidade mórbida — como se algum canal
maligno até então fechado tivesse abruptamente sido aberto. Senti que aquelas paredes e frontões ressaltados de tijolos orvalhados e caimento cheio de fungos e madeira — com janelas de grades cruzadas que lembravam olhos e me espionavam sorrateiras — mal poderiam desistir de avançar e me esmagar... mas mesmo assim eu só havia lido o menor fragmento daquela runa blasfematória antes de fechar o livro e leva-lo comigo. 
Lembro-me de como finalmente li o livro — com o rosto pálido, e trancado no quarto do sótão que de há muito eu devotava e estranhas buscas. A grande casa estava muito silenciosa, pois eu não me levantara senão depois da meia-noite. Acho que eu tinha uma família então — embora os detalhes sejam muito incertos — eu sei que havia muitos serviçais. Mas que ano era, não sei dizer; pois desde então tenho conhecido tantas eras e dimensões, e todas as minhas noções de tempo se dissolveram e se remoldaram. Era à luz de velas que eu lia — recordo-me do incessante pingar da cera — e carrilhões que soavam de vez em quando, de distantes campanários. Parece que eu acompanhava o soar daqueles carrilhões com peculiar atenção, como se eu temesse ouvir alguma coisa muito remota, um nota intrusa entre as demais.
Então vieram os primeiros ruídos na janela do dormitório, que ficava muito acima dos demais telhados da cidade. Veio quando eu murmurava em voz alta o nono verso daquele tratado primário, e percebi, entre meus tremores, o que aquilo queria dizer. Pois aquele que passa os portais sempre vence uma sombra, e nunca mais pode estar só. Eu havia evocado — e o livro era realmente tudo o que eu suspeitara. Aquela noite eu atravessei o portal para um vórtice de tempo e visão distorcidos, e quando a manhã me encontrou no quarto do sótão eu vi nas paredes, e nas prateleiras e nas gavetas o que nunca vira antes.
Nem nunca mais pude ver o mundo como o conhecera. Misturados ao cenário presente havia sempre um pouco do passado e um pouco do futuro, e cada objeto antes familiar agora pairava alienígena na nova perspectiva trazida pela minha visão ampliada. Daí em diante caminhei num sonho fantástico de formas desconhecidas e semiconhecidas; e a cada novo portal atravessado, menos eu podia reconhecer as coisas da estreita esfera a qual eu portanto tempo fora ligado. O que eu via ao meu redor, ninguém mais via; e comecei a ficar duplamente silencioso e recolhido para não enlouquecer. Os cães tinham medo de mim, pois eles sentiam a sombra exterior que jamais me abandonava. Mas eu ainda lia mais — às escondidas, livros e rolos esquecidos aos quais minha nova visão me levava — e avançava por novos portais do espaço, seres e padrões de vida através do núcleo do Cosmos desconhecido.
Lembro-me da noite em que fiz os cinco círculos concêntricos de fogo no chão, e postei-me de pé no mais interior, entoando a monstruosa litania que o mensageiro do Tártaro havia trazido. As paredes se derreteram, e fui varrido por um vento negro através de abismos de um cinza sem fim com os pináculos agudos de desconhecidas montanhas a quilômetros abaixo de mim. Depois de algum tempo houve uma profunda escuridão, e então a luz de miríades de estrelas formando estranhas constelações alienígenas. Finalmente vi uma planície verdejante bem abaixo de mim, e nela discerni as torres distorcidas de uma cidade construída em nenhum estilo que eu jamais tenha ouvido falar ou lido ou sonhado a respeito. Ao flutuar próximo a essa cidade, vi um grande edifício quadrado de pedra num espaço aberto, e senti um medo odioso tomar conta de mim. Gritei e lutei, e depois de um branco eu estava novamente em meu sótão, deitado sobre os cinco círculos fosforescentes no chão. No vagar daquela noite não havia mais estranhezas do que em muitas noites de vagares anteriores; mas havia mais terror porque eu sabia estar próximo daqueles golfos e mundos exteriores, mais próximo do que jamais estive antes. Portanto, portei-me com mais cautela com meus encantamentos, pois não tinha desejo de ser cortado de meu corpo e da Terra para abismos desconhecidos dos quais eu poderia jamais retornar... circa 1934)

H. P. Lovercraft

Fonte: "A Tumba... e Outras Histórias". Ed. Francisco Alves.

domingo, 4 de dezembro de 2011

O Homem e o Abismo

Sabe aquele momento em que nos encontramos em uma situação inesperada? Um homem em sua sã realidade jamais gostaria de passar por tais indagações, preso em um turbilhão de imagens e situações constrangedoras. Sua imagem não mais lhe pertence. Seus sonhos são de todos, menos seus. Qual homem suportaria viver em tal situação?
Diante da era digital, milhões fogem para as redes sociais em busca de abrigo para confortar seus egos, são religiosos, homens e mulheres de bem, promíscuos e amantes da informática. Todos conectados a uma rede de informações, muitas vezes esquecem a sua vida e passam a se preocupar com a dos outros.
O homem e meio as suas indagações, preso em seus concomitantes pensamentos sobre esse futuro mórbido da humanidade, presente a tais efeitos, questiona o presente desconstruído e sem nexo. O mundo está virado, não mais vivemos, somos engolidos pela máquina exuberante da mídia, de imagens problemáticas que nos causam desde invejas a vômitos mentais.
Preso a esta complexa rede, somos envolvidos e caminhamos passo a passo para um futuro desconexo e sem órbita. O homem está diante de seu abismo, buscando interesse e satisfação nas relações virtuais, nas falsas companhias, sem segredos, sem mistérios, consumido por falsos desejos.
Entre suas muitas perguntas, preso a essa teia, não se encontra mais religião, moralidade, ética, vontade, tudo isso é coisa do passado, ninguém tem mais respeito e nem se dá ao respeito, a falsa felicidade é mais forte que a realidade daqueles que buscam por dias melhores.
No final o homem se encontra vomitado sobre si, escarrado pela mídia, não se é mais quem quer que seja não se é o que se procura ser, não existe liberdade, o libre arbitrium é só uma fachada, não se engane, não existe mais nomes, o que existe é só uma pútrida existência.

Diogo Correia

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

SOLIDÃO E ISOLAMENTO

“Se você se sente só, é porque ergueu muros em vez de pontes” (Willian Shakespeare)

O que é a solidão para muitos hoje? Talvez uma fuga, um refúgio, uma saída do social. A solidão é o mal do século, não é de agora que os homens se isolam do mundo em busca das respostas que lhe afligem. A solidão dos poetas é o que os fazem criar versos tão fantásticos, que impressionam nossa imaginação. O artista é outro que cria várias obras que fascinam ou até o escritor que precisa se isolar do mundo para escrever suas obras. O que faz as pessoas se sentirem tão isoladas a ponto de não buscar o convívio social, de não encontrar mais a paz e se inebriar nas drogas, de se encontrar diante de depressões tão horríveis e quererem desistir da vida? O homem está sempre em busca de um complemento, do que é fantástico e extraordinário, não é toa que muitos se encontram em igrejas, por medo da solidão, buscam a completude em “Deus”.
            Como já dizia Arnaldo Jabor em sua crônica “Estamos com Fome de Amor”, citando Renato Russo ele diz: “Digam o que disserem, o mal do século é a solidão".  Como já havia dito, este é o mal que aflige a razão humana, não só neste século, mas em muitos. Festinhas de comemoração, belas garotas mostrando seus belos vestidos de forma fútil, garotos buscando na embriaguez, eis a solidão, tomando forma em nossas vidas.
            O que pode ser valoroso para alguns, é ruim para outrem. Muitos monges, inclusive os budistas, valorizam a solidão como virtude. Para Artur Schopenhauer, a solidão, a angústia, a dor, o sofrimento, é algo positivo, porque é o que nos faz sentir vivos, enquanto a felicidade é um mal agravante “porque não fazem senão suprimir um desejo e terminar um desgosto”. (SCHOPENHAUER, 1958)
            Isso nos mostra que a solidão não deve ser encarada somente como uma fuga, um isolamento, e sim como uma busca interior, do seu “eu”. Essa é uma ideia da qual não deve ser desconsiderada. Quando falo aqui em isolamento, não digo aquele do qual algumas pessoas se trancam em um quarto escuro e caem em depressão profunda – como existem casos como estes – e sim, o isolamento social, de se sentirem tão inferiores a qualquer pessoa, a ponto de dizer que sua existência é algo sem importância.
            A solidão é algo concomitante, ninguém se isola por nada, estamos sempre nessa busca pela completude, e quando nada nos preenche – inclusive amigos e familiares, pronto para nos ajudar – atrofiamos isso em nós e entramos em depressão profunda, essa não é uma saída, talvez algo para chamar a atenção – posso estar errado –, mas uma fuga, um isolamento de não querer encontrar respostas, de definhar em suas lágrimas e falecer fisicamente. O pensamento é de morte.
            Enfim, o homem está sempre em busca de respostas. A solidão é uma virtude, segundo os budistas; é um bem por nos fazer sentir vivos, segundo Schopenhauer. Se definirmos como algo fútil, encontramos nas redes sociais da internet pessoas sempre em busca de outra, ou até mesmo de falar aos quatro ventos que escolheu a solidão, porque essa é única saída. Existe um ditado Tibetano que diz que, se um problema é grande demais, não pense nele e se ele é pequeno demais, pra quê pensar nele? Nada é tão difícil que não possamos resolver, inclusive a solidão.

REFERÊNCIAS

SHOPENHAUER, Artur. Dores do Mundo. Tradução: A. F. Rocha. Ed Simões, 1958, Rio de Janeiro-RJ.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

INDAGAÇÕES DO ABISMO

Caminhando exausto em meus pensamentos, me vejo em um abismo sem fim, cheio de frustrações, raivas e algumas duvidas sobre a vida, o que a vida? quem sou eu? enfim, são perguntas sem fundamentos e sem respostas. Meus sonhos são de um âmago infundado onde abriga as verdades sobre quem sou, escondido através de imagens, não de palavras, o que digo não é importante, mas a cena que acontece. 

O que é a reposta da vida, senão a morte? quem pode definir o que é certo e o que errado, senão a moral e a ética de cada um? São tantas questões e só eu posso dar essas respostas, quem possui o mapa da minha vida, quem luta com meus demônios, quem sente raiva por essa casca todos os dias, é somente eu, então, ninguém deve interferir em minhas verdades, cada um faz suas escolhas, ninguém tem o direito sobre a vida de ninguém.

Mas o que posso mais refletir, senão pelo caminhar profundo de meus pensamentos, mais sórdidos, a solidão de quem se encontra nesse quarto escuro e sem vida, a luz não chega até aqui, mas não pra sempre que isso ocorre, é de vez em quando. Organizo meus pensamentos de acordo com minhas escolhas, não reluto com as idéias sem fúteis.

Já dizia o mestre Shopenhauer sobre a dor: "Se a nossa existência não tem por fim imediato a dor, pode dizer-se que não tem razão alguma de ser no mundo. Porque é absurdo admitir que a dor sem fim, que nasce da miséria inerente à vida e enche o mundo, seja apenas um puro acidente, e não o próprio fim."

A dor faz parte desse mundo, faz parte desse ser que sou, faz parte da vida, faz parte do prazer da existência, sem a dor, nada seria tão agradável, nada seria tão certo, não teria equilibrio. É certo que nem todos concordam, mas não me importo com a crítica in-pensada, mas a re-pensada sobre os verdadeiros valores. Não sou culpado por pensar assim, a vida se encarregou de me ensinar a parte prática, os valores éticos e morais da sociedade me ajudaram re-lutar e re-formar o que eu sou hoje, o ser existencial.

Por isso que a dor será de sentido positivo, "visto que se faz sentir", a grande angústia do homem em sua totalidade se chama felicidade, que satisfatóriamente é negativo, pois não traz senão a suprimissão de um desejo e término em um desgosto, pelas palavras do mestre. Não me ajoelharei perante o que as pessoas dizem o que as torna feliz, o certo é que, farei de acordo com os valores a qual foram concebidos aos meus pensamentos, a minha formação como personagem da vida, que as vezes cai em um abismo e que sempre sobe até o topo sem ter necessidade sobre o que as pessoas pensam sobre quem eu sou e o que devo fazer da minha vida.

Suprir a vida através do que se acredita.
                   A vida está por trás do reflexo do espelho. 
                                        Saia da Matrix e liberte sua mente.

Diogo Correia