terça-feira, 2 de julho de 2013

DESESPERO


O que dizer de um homem que reluta com seus demônios? Muitos vão critica-lo, vão dizer pra ele ir se cuidar, pois saúde mental é importante. E quando esses demônios são reais? Só quem acredita na existência do demônio, são cristãos, na maioria deles que já presenciaram algumas das mais diversas manifestações do maligno, na maioria deles, pecadores, afogados em seus próprios medos pelo desconhecido, buscando a santificação, combatendo com suas forçar e com sua fé as armadilhas do diabo.

Nenhuma outra crença acredita que em forças malignas espirituais. Acredita-se que tenha um mal, uma pequena parte do próprio ser humano, alguns psicólogos vão dizer que algo que está contido no inconsciente e que precisa saber o que é, enfim, eles não acreditam porque não veem esse mal espiritual.
Vou contar-lhes uma história, um tanto fictícia, mas baseada no relato real de certo homem que conheci, e que numa certa idade, não conhecia o pecado e nem acreditava no poder que o acusador tinha sobre nossas vidas, até o dia que o viu cara a cara.
Certo dia acordara bem cedo, pois diante dos porões de sua mente escura e vazia, se encontrava coisas absurdas de qualquer adolescente, não tinha receio das coisas, vivia pra se divertir e não pra conhecer, um garoto normal na flor da idade. Sempre corria com em favor do vento, sobre o calçamento ainda molhado da noite anterior, não tropeça e sim, deslizava sobre o chão. Enfim, jogando bola era um às, sempre era escolhido pelos colegas. Mas para tanto talento tinha suas deficiências, ele era um péssimo aluno, não prestava muito atenção nas aulas, gritava, esperneava e se agitava com os colegas em sala, mas estudar que é bom, nada.
Anos à frente, sempre se encontrando em maus lençóis em relação aos estudos, esse jovem rapaz clamava por seu deus, pedia-lhe conhecimento para passar nas provas, mas de tanto pedir e não agradecer, esse deus não ouviu seu clamor na última vez, foi quando ele, numa falta de fé, desiste e faz algo que mudaria completamente sua vida, assina um contrato amaldiçoado com seu próprio sangue e naquele ritual macabro, vende sua alma em troca de conhecimento. Seus dias passaram a ser mais interessados, depois daquelas provas, sabia de tudo, mesmo que tenha custado caro sua vida. Os anos foram se passando, ele estudou outras coisas além daquele conhecimento básico, artes arcanas e tudo mais referente à magia negra conhecida pelo homem, onde se afundara ainda mais na escuridão, vivendo dias hiperbóreos em sua gélida prisão do esquecimento.
Uma vez um homem me disse que para ser liberto de todos os males diabólicos, um homem precisa abrir seu coração a Deus e de forma misericordiosa Ele lavaria todos os seus pecados, mas, o que aconteceria se um determinado homem tivesse todos os pecados, legiões de demônios o usando de todas as maneiras, sugando toda a sua energia? Homem nenhum gostaria de sofrer o que esse homem sofreu. Dias e dias vivendo sobre o abismo, largado e sem nenhum arrependimento aparente até então...
Hoje em meio as cadeias infernais que o cercam, preso pelo negritude dos seus desejos, ele clama arrependimento e eis que uma luz desce até ele e parece que tudo o que ele tinha passado, as vozes que gritavam em seus ouvidos, tudo isso tinha sumido, triste engano. Quer saber algo, em tudo Deus permite que aconteça, mesmo que isso aplique a um homem que venha ter manifestações demoníacas. O coro celestial clama e a cada exaltação, o acusador grita suas inverdades, porém nem tudo que o demônio diz não é certeza, este conhece o agir e o falar de cada um, digo isso por experiência própria, seus pecados são expostos como numa feira de exibição, mesmo que tenha libertação e tenha sido lavado pelos pecados, o diabo conhece. Mesmo o mais santo dos crentes é tentado, assim como Jesus foi tentado. Mas o crente que conhece o abismo, como eu conheço, não gostaria de olhar diante dele novamente.

terça-feira, 7 de maio de 2013

O social ser...



Eis que lhes apresento o homem, não aquele homem que luta por seus ideais, que possui caráter e tem peito pra lutar por seus direitos, este é um herói, mas o homem que por direito de dizer que humano, porém um animal, um doente social, que busca uma luta que não é sua, que aceita condições que não lhe convém, que vive da opinião alheia, que acha que tem algum direito a ter opinião. O homem é um animal social, segundo o filósofo Aristóteles, quer dizer, a união entre os homens é natural, porque o homem é um ser naturalmente carente, que necessita de coisas e de outras pessoas para alcançar a sua plenitude. Essa união não significa que tenho que aceitar o casamento homossexual e a bancada evangélica no congresso, isso é uma conseqüência social, a humanidade sempre buscou o melhor pra si, puro egoísmo! O homem não é um animal social, é um animal egoísta. O que vejo em redes sociais, que é uma rede de informação e relacionamento social, para ser um veículo de preconceitos, onde o meu direito acaba onde começa o seu. Não quero enfatizar o homossexualismo e seus preconceitos com a sociedade, como também há o preconceito de um grupo ateísta com os religiosos em geral, essas coisas sempre existiram, sendo que nessa era do vazio, se você vacilar, pode ser preso por falar o que quer e isso é injusto. Sua liberdade de expressar é limitada, se tiver que se expressar que tenha cuidado com o que diz. O homem não é o animal político, que luta por direito de todos, mas por unicamente seus direitos. Estamos trancafiados, refém da sociedade, de pré-conceitos, vítimas dos “opiniosos”, a razão é uma ferramenta que os poucos seres pensantes ainda utilizam.

por Diogo Correia.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Apenas um sonho...



Estou aqui escrevendo o que pode ser apenas o relato de um sonho ou pesadelo na vida de alguém, não se pode dizer que não é real ou fantasia criada em uma mente, ou o que pode ser parte da psique de alguém, pode ser uma nova versão do complexo de Electra ou apenas um mal entendido, há muitas coisas em que eu posso acreditar e relatar do que aconteceu nesse breve sonho, mas não sei como acaba essa jornada...
Era uma manhã de verão, uma mulher caminha pela rua em direção ao mercado, muitas pessoas podem se encontrar neste lugar, muitos amigos e vizinhos, mas esta mulher estava ali só para presenciar e apreciar o que poderia ser o início de uma amizade. Ela estava no corredor de frutas e legumes, olha para o lado e observa uma garota de seus 20 e poucos anos, quase da mesma idade que seu único filho, se aproxima da garota e percebe algo de diferente, ela não sabe o que é, mas nota algo de especial. Faz uma tentativa de conversa, puxar certos assuntos e por incrível que possa aparecer (porque nem sempre acontece desse modo hoje em dia, as pessoas tendem a desconfiar das outras), as duas conversam coisas distintas e riem muito. Logo aquele encontro iria se tornar o inicio de uma bela e estranha amizade.
Em outro ponto da cidade, o rapaz, filho daquela mulher, passeia pelo parque e por um desvaneio do destino se esbarra com aquela garota que a mãe encontrou no mercado, a garota estava ali, sentada, aluada com os pensamentos e o rapaz se aproxima, após uma longa conversa e investidas, se apaixona por ela. Eles mantêm um casinho, todo final de semana se encontram, sem que a mãe e nem ninguém saiba quem é ela.
Em outra ocasião, ela se encontra com o marido dessa mulher que se tornara sua amiga, justamente no mesmo lugar onde ele trabalha, ela acabara de ser contratada, sendo com uma garota bonita e sexy, ele, um homem casado e com uma vida sexual bastante frustrada, pensa em se aventurar, não pensando nas conseqüências. Ele mantém um romance secreto com esta mulher que se tornou amiga de sua esposa e enamorada do filho.
A história por trás dessa história está em que a garota, protagonista desse sonho, é fruto de um acaso que a esposa tinha com outro homem. A esposa não sabia da existência dela, quando se passara pela cabeça que a mesma tinha morrido ao nascer e esta tinha sido arrancada da verdadeira existência e se tornado parte da vida de outra família, um tanto problemática.
E em certo dia, esta garota some dos olhos de todos, da esposa que é sua amiga, do esposo que é seu amante e de seu filho que é seu namorado, uma história bastante complicada. Esta garota, sem notícias por dias, aparece pela triste notícia que foi encontrada usando drogas, os três ficam preocupados e detalhe que estavam envolvidos com a mesma pessoa que era filha dessa mulher que teve um caso com outro homem no passado.
Histórias como esta acontece ou está acontecendo em alguma parte do mundo, famílias inteiras sendo destruídas ou se destruindo por erros cometidos no passado. Se parece até cena de uma novela ou de um programa sensacionalista, tudo isto foi obra criada por uma mente humana, não por uma mente doentia e vil, mas simplesmente criada, um sonho ou pesadelo. Os desejos humanos de acreditarem no que é real ou fantasia podem estar ligados a sua insegurança ou medo de se envolver e perder o ser amado, não sei se é a melhor interpretação a essa fato, mas sei que isto aconteceu dessa maneira pelo sonhador. O que realmente aconteceu com aquela garota que perdeu devidamente a vontade de existir, pode ser que ela tenha descoberto toda a história, toda a trama sem ao menos ter tido a noção do que estava realmente envolvida. O medo e a dor da existência se encontram na protagonista dessa história. O ser sente receio de sua existência quando busca e acredita que tudo o que viveu e construiu é uma farsa, um caminho de conto de fadas e se vê como um substrato de uma grão de mostarda perdido no universo. O que constrói tudo isso é o medo.
Quem sou eu? Sou apenas um relatador de sonhos, um explorador dos pensamentos, uma fagulha que analisa comportamentos, enfim, um detetive do conhecimento e das profundezas do ser...

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Um conto para o fim do mundo




Mais uma vez o andarilho noturno caminha para o desconhecido, louvando a dor e a angústia daquelas que sentem o desespero de um dia tudo acabar, tudo o que construíram ou não, o que conquistaram ou não, as paixões agora só são angústias para aqueles que sonham a partir de agora, o homem sente a dor de não ter encontrado respostas e eu sento diante do abismo e contemplo tudo isso.

Não sinto remorso, já caminhei por vários mundos, já me entoquei em várias ilhas, olhei a vários abismos. Um andarilho nunca está só quando está diante de seu abismo, encontra suas respostas, não as respostas da humanidade, mas suas próprias e quando pensa que não, se sente realizado, completo.

Não contemplo aqueles que contemplam a felicidade plena, pois essa nunca vai existir, a dor faz parte de nossa natureza e não uma mera ilusão, nós caímos sempre no mesmo buraco, mas sempre nos erguemos diante do abismo e gritamos que não desistirmos tão fácil, por isso o homem necessita do seu abismo.

Mas o que é o fim do mundo? É o fim de tudo? O fim das alegrias? Nada disso, o fim do mundo somente está naqueles que contemplam o fim, eu contemplo a dor e isso é bem diferente. Eu me sinto vivo perante a isso, meu espírito é livre para pensar dessa forma. O fim da raça humana só vai existir, quando destruirmos nosso próprio planeta, nossa própria raça e sua vida.

Ao andarilho que caminha entre mundo e entre as emoções alheias, entre discórdias do próprio ser, não aconselho caminhar entre as minhas palavras, mas entre suas próprias conclusões, o andarilho é um filósofo, indo em encontro ao desconhecido.

Não tenham medo, ainda não é o fim, ainda não há permissão...

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

La herencia Valdemar

Uma verdadeira obra prima baseada no universo de H.P. Lovercraft, que conta a história de Luisa Llorente, perita em tributação de construções antigas, se mudou para a misteriosa mansão Valdemar para coordenar um inventário de posse de bens, e desapareceu. Maximilian, presidente da companhia que Luisa trabalha, contrata os serviços do detetive Nicholas Tramel para encontrá-la. Mas esse não é o primeiro desaparecimento.

Para os que não conhecem este filme e nem as obras de Lovercraft é uma boa pedida, para os que já conhecem, apreciem.



Abraços do Andarilho.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

O LIVRO



MINHAS MEMÓRIAS ESTÃO muito confusas. Há até mesmo muita dúvida de onde elas começam; pois por vezes sinto imensuráveis vistas de anos se estendendo atrás de mim, enquanto que em outros momentos parece que o momento presente é um ponto isolado num infinito cinzento e sem forma. Não estou nem certo de como estou transmitindo esta mensagem. Enquanto sei que estou falando, tenho uma vaga impressão de que alguma estranha e talvez terrível mediação venha a ser necessária para suportar o que digo aos pontos onde desejo que ela seja ouvida. Minha identidade, também, encontrase incrivelmente toldada. Parece que sofri um grande choque: talvez devido a algum resultado monstruoso de meus ciclos de única e incrível experiência. Todos esses ciclos de experiência, naturalmente, emanam daquele livro dominado pelas traças. Lembro-me de quando o encontrei — num lugar mal iluminado próximo ao rio negro e oleoso onde as brumas sempre habitam. 
Aquele lugar era muito antigo, e as prateleiras cheias de volumes apodrecidos até o teto percorriam infinitamente quartos e alcovas internas, sem janelas. Havia, além disso, grandes pilhas informes de livros no chão e em caixas de madeira, e foi numa dessas pilhas que encontrei a coisa. Nunca lhe soube o título, pois as páginas iniciais estavam faltando; mas ele caiu aberto na altura do fim, e me deu um vislumbre de alguma coisa que deixou meus sentidos em polvorosa.
Havia uma formula — uma espécie de lista de coisas para fazer e dizer — que reconheci como sendo alguma coisa negra e proibida; alguma coisa que eu havia lido antes, em furtivos parágrafos de nojo e fascinação misturados, escritos pela pena desses antigos e estranhos guardiões dos segredos do universo cujos textos decadentes eu adorava assimilar. Era uma chave — um guia — a certos portais e transições com a quais místicos sonham e sussurram desde a juventude da raça, e que levam a liberdades e descobertas além das três dimensões e dos reinos da vida e da matéria que conhecemos. Por séculos não havia qualquer homem recombinando sua substância vital ou sabido onde encontrá-la, mas este livro era realmente muito antigo. Não era trabalho impresso, mas da mão de algum monge semi-louco, havia traçado aquela ominosas frases latinas em letras unciais de assustadora antigüidade.
Lembro-me de como o velho olhou-me de soslaio e riu à socapa, e fez um curioso sinal com a mão quando o levei embora. Recusou-se aceitar pagamento por ele, e só muito tempo depois eu soube por quê. Ao correr para casa por aquelas estreitas, tortuosas, brumosas ruas e beira-mar tive uma aterrorizante impressão de ser furtivamente seguido por pés suavemente calçados. As balouçantes casas centenárias em ambos os lados pareciam vivas com um frescor e uma malignidade mórbida — como se algum canal
maligno até então fechado tivesse abruptamente sido aberto. Senti que aquelas paredes e frontões ressaltados de tijolos orvalhados e caimento cheio de fungos e madeira — com janelas de grades cruzadas que lembravam olhos e me espionavam sorrateiras — mal poderiam desistir de avançar e me esmagar... mas mesmo assim eu só havia lido o menor fragmento daquela runa blasfematória antes de fechar o livro e leva-lo comigo. 
Lembro-me de como finalmente li o livro — com o rosto pálido, e trancado no quarto do sótão que de há muito eu devotava e estranhas buscas. A grande casa estava muito silenciosa, pois eu não me levantara senão depois da meia-noite. Acho que eu tinha uma família então — embora os detalhes sejam muito incertos — eu sei que havia muitos serviçais. Mas que ano era, não sei dizer; pois desde então tenho conhecido tantas eras e dimensões, e todas as minhas noções de tempo se dissolveram e se remoldaram. Era à luz de velas que eu lia — recordo-me do incessante pingar da cera — e carrilhões que soavam de vez em quando, de distantes campanários. Parece que eu acompanhava o soar daqueles carrilhões com peculiar atenção, como se eu temesse ouvir alguma coisa muito remota, um nota intrusa entre as demais.
Então vieram os primeiros ruídos na janela do dormitório, que ficava muito acima dos demais telhados da cidade. Veio quando eu murmurava em voz alta o nono verso daquele tratado primário, e percebi, entre meus tremores, o que aquilo queria dizer. Pois aquele que passa os portais sempre vence uma sombra, e nunca mais pode estar só. Eu havia evocado — e o livro era realmente tudo o que eu suspeitara. Aquela noite eu atravessei o portal para um vórtice de tempo e visão distorcidos, e quando a manhã me encontrou no quarto do sótão eu vi nas paredes, e nas prateleiras e nas gavetas o que nunca vira antes.
Nem nunca mais pude ver o mundo como o conhecera. Misturados ao cenário presente havia sempre um pouco do passado e um pouco do futuro, e cada objeto antes familiar agora pairava alienígena na nova perspectiva trazida pela minha visão ampliada. Daí em diante caminhei num sonho fantástico de formas desconhecidas e semiconhecidas; e a cada novo portal atravessado, menos eu podia reconhecer as coisas da estreita esfera a qual eu portanto tempo fora ligado. O que eu via ao meu redor, ninguém mais via; e comecei a ficar duplamente silencioso e recolhido para não enlouquecer. Os cães tinham medo de mim, pois eles sentiam a sombra exterior que jamais me abandonava. Mas eu ainda lia mais — às escondidas, livros e rolos esquecidos aos quais minha nova visão me levava — e avançava por novos portais do espaço, seres e padrões de vida através do núcleo do Cosmos desconhecido.
Lembro-me da noite em que fiz os cinco círculos concêntricos de fogo no chão, e postei-me de pé no mais interior, entoando a monstruosa litania que o mensageiro do Tártaro havia trazido. As paredes se derreteram, e fui varrido por um vento negro através de abismos de um cinza sem fim com os pináculos agudos de desconhecidas montanhas a quilômetros abaixo de mim. Depois de algum tempo houve uma profunda escuridão, e então a luz de miríades de estrelas formando estranhas constelações alienígenas. Finalmente vi uma planície verdejante bem abaixo de mim, e nela discerni as torres distorcidas de uma cidade construída em nenhum estilo que eu jamais tenha ouvido falar ou lido ou sonhado a respeito. Ao flutuar próximo a essa cidade, vi um grande edifício quadrado de pedra num espaço aberto, e senti um medo odioso tomar conta de mim. Gritei e lutei, e depois de um branco eu estava novamente em meu sótão, deitado sobre os cinco círculos fosforescentes no chão. No vagar daquela noite não havia mais estranhezas do que em muitas noites de vagares anteriores; mas havia mais terror porque eu sabia estar próximo daqueles golfos e mundos exteriores, mais próximo do que jamais estive antes. Portanto, portei-me com mais cautela com meus encantamentos, pois não tinha desejo de ser cortado de meu corpo e da Terra para abismos desconhecidos dos quais eu poderia jamais retornar... circa 1934)

H. P. Lovercraft

Fonte: "A Tumba... e Outras Histórias". Ed. Francisco Alves.

domingo, 4 de dezembro de 2011

O Homem e o Abismo

Sabe aquele momento em que nos encontramos em uma situação inesperada? Um homem em sua sã realidade jamais gostaria de passar por tais indagações, preso em um turbilhão de imagens e situações constrangedoras. Sua imagem não mais lhe pertence. Seus sonhos são de todos, menos seus. Qual homem suportaria viver em tal situação?
Diante da era digital, milhões fogem para as redes sociais em busca de abrigo para confortar seus egos, são religiosos, homens e mulheres de bem, promíscuos e amantes da informática. Todos conectados a uma rede de informações, muitas vezes esquecem a sua vida e passam a se preocupar com a dos outros.
O homem e meio as suas indagações, preso em seus concomitantes pensamentos sobre esse futuro mórbido da humanidade, presente a tais efeitos, questiona o presente desconstruído e sem nexo. O mundo está virado, não mais vivemos, somos engolidos pela máquina exuberante da mídia, de imagens problemáticas que nos causam desde invejas a vômitos mentais.
Preso a esta complexa rede, somos envolvidos e caminhamos passo a passo para um futuro desconexo e sem órbita. O homem está diante de seu abismo, buscando interesse e satisfação nas relações virtuais, nas falsas companhias, sem segredos, sem mistérios, consumido por falsos desejos.
Entre suas muitas perguntas, preso a essa teia, não se encontra mais religião, moralidade, ética, vontade, tudo isso é coisa do passado, ninguém tem mais respeito e nem se dá ao respeito, a falsa felicidade é mais forte que a realidade daqueles que buscam por dias melhores.
No final o homem se encontra vomitado sobre si, escarrado pela mídia, não se é mais quem quer que seja não se é o que se procura ser, não existe liberdade, o libre arbitrium é só uma fachada, não se engane, não existe mais nomes, o que existe é só uma pútrida existência.

Diogo Correia