segunda-feira, 28 de outubro de 2019

Reencontro


Meu nome não importa, sou uma incógnita para a sociedade, com meus trinta e poucos anos, em busca ainda de um sonho, sem mulher e nem filhos, preso em um turbilhão de pensamentos inóspitos e sem nexo, minha mente está confusa, como um deserto, muitas dunas, uma longa caminhada para lugar algum debaixo de um sol escaldante e uma noite congelante, a vida me prega mais uma de suas peças, não tenho mais nada a perder, me encontro a beira desse abismo, a noite está bem escuras, ao meu redor encontro somente rochas calcárias, tão antigas quanto a vida terrena, insuportável os olhares invisíveis me observando e julgando aquele ato tão desprezível que é de perder algo que deveria dá continuidade, mas cada um sabe de suas escolhas, cada um sabe o que está acontecendo na sua mente, as sombras querem me sufocar, a noite é clareada com um leve brilho do luar que se esconde por trás das nuvens, onde também me escondo por trás de uma leve arrogância que me carece de desculpas pelo fim de uma busca.

Olho para baixo, tudo que vejo é uma esfumaçante névoa que impede que meus olhos doloridos e cansados possam enxergar o fundo desse foço. É com muito pesar que digo, preciso me libertar desse mundo que dilacera de dentro para fora e de fora para dentro, como se fossem milhares de navalhas rasgando minha carne crua.

Sou um homem desprezível, incapaz de aceitar qualquer palavra amiga, considere a bondade alheia ou o deus de outrem, porque aceitar? Nunca fui de aceitar ou concordar com credos de populares, de uma santa igreja ou da desprezível ameaça de perecer no inferno, onde o único mal que fiz em vida foi o de arcar com as consequências de perder a única coisa mais valiosa que um homem como eu poderia ter, a vida, mas sou um inútil, um infame preso pelo mal agouro de uma consciência irritante por querer ser bom demais.

Novamente faço o mesmo movimento de olhar o abismo por outro ângulo e com um simples gesto, me sento na beira, encurvo a perna e apoio com um dos braços, o outro braço serve de amparo para o corpo, tudo que vejo são rochas, sombras, nuvens, estrelas e um caminho sem volta, estava preso, confinado naquele lugar, é doloroso pensar que só preciso de um passo, a minha disposição de me jogar lá embaixo e deixar a gravidade resolver por mim o que por anos não tinha feito, me atirado de cabeça com toda a força na vida que me cercava por suas formas e cores, mas preferi me atrelar a sombras e sem movimento, quem sou eu afinal? É uma pergunta difícil de responder, uma resposta sem fundamentos. Não sei responder, não acho uma resposta, é tudo muito confuso. Nesse momento conflituoso, me apoio de mal jeito e de supetão, um vento forte me empurra, talvez esse fosse o estímulo que precisava, mas não foi eu, foi uma força maior que agiu contra a minha liberdade de escolha e eu caí nesse abismo, não gritei, não chorei, pelo contrário abri os braços, virei de bruços e sorri, estava realizando um sonho e foi com aquela mesma intensidade de mudanças que percebi algo, tudo não passara de um sonho bom, mas o desejo era real e refletia o que estava acontecendo naquele momento, um teatro de sombras me arrodeava, não passava de objetos inanimados, estagnados pelo tempo, a fumaça do cigarro ainda estava aceso, por um momento achei que fosse queimar a ponta de meus dedos, o vento do ventilador era bastante forte, mas naquela noite, o clima estava bastante frio. Talvez minha máscara tivesse caído, era meu único rosto, o rosto de sempre, precisava dele, então coloquei de volta, apaguei o cigarro e voltei a dormir, buscar sonhar com esse reencontro, buscar sonhar com o abismo.

sábado, 21 de setembro de 2019

A mansão da família Silva



Naquela região da Vila de Extremoz, se encontra um antigo casarão que já foi palco de vários massacres de escravos que fugiam dos senhores logo quando a vila foi criada, eles permaneciam na parte inferior da casa sendo massacrados noite após noite, até serem mortos, movidos pela sede de vingança, o ódio foi tomado naquele ambiente até que objetos na casa são derrubados e afastados, portas são trancadas, gritos e sussurros são ouvidos durante a madrugada, passos trotando na madeira ainda fúnebre e correntes se arrastando ouve-se durante uma pernoite naquele lugar. A mansão antiga possui uma grande cozinha, uma sala, uma pequena biblioteca e vários quartos, tanto na parte de baixo quanto em cima. A casa é mantida por caseiros, que a todo mês é mudado, por não suportar permanecer naquele ambiente pesado.
Ao passar uma noite naqueles aposentos se ouvem alguns sussurros e passos, mas nada se encontram nem na parte inferior e nem superior, a mansão é mantida a noite pela luz de lampiões que chegam a apagar em alguns momentos, mas durante a madrugada, uma canção fúnebre ao som arrepiante de uma brisa suave é capaz de estilhaçar qualquer alma, por mais pura que seja. No depoimento de alguns caseiros que residiram e não vivem mais no local, conta-se pela população, que aquele lugar é amaldiçoado, sombras dos escravos são vistos perpassar quando os olhos não são cuidadosos, é nesse momento que se escuta estalar nos móveis, lampiões se apagam vultos de mulheres negras com vestes brancas se percebem entrar em alguns quartos.
As vezes parece que dentro da casa não se vê as horas, as janelas antigas, calejadas com o tempo são de amedrontar o espírito, as portas antigas ainda trancadas tanto por dentro, quanto por fora não permite que a luz entre naquele lugar maldito, que foi assolado pelo ódio dos que foram maltratados, as paredes ainda sustentam a história e o convívio dos antigos moradores, a sacada em frente a mansão, tantos momentos usados pela Sinhá, hoje local para sussurros de almas penadas chamando os bêbados em noites de lua cheia, não se chega nem perto, é o que os mais velhos dizem, aquele local foi esquecido pela humanidade.
Os cômodos da casa ainda possuem seus antigos formatos, as paredes brancas e lisas, o chão azulejado, algumas molduras de quadros com antigas pinturas retratam os tempos de glória, quando ainda havia paz, mesas e cadeiras coloniais ainda empoeiradas, estão envoltos a um ar sombrio que reflete no momento presente em que se entra no recinto, no antigo escritório, a velha escrivaninha ainda sustentada pelos papéis de cartas e outros documentos ainda presentes, alguns livros se encontram em alguma estante da parede, parecem livros de economia, mas um livro se encontra perdido ali, sim, um livro com capa negra e bordas prateadas, porém fechadas com um cadeado prateado, este livro especificamente de capa dura e páginas amareladas não possuem nenhum nome marcado nele.

Na primeira Página deste livro, está escrito:
Vila De Extremoz, 1870

Este é um grimório que relata tudo que está descrito aqui, nada foi em vão, em tudo há um proposito dentro de nossa ordem, meus confrades e eu reunimos alguns trabalhos feitos pelas mentes mais brilhantes a qual nenhum ser comum é capaz de suportar. A sede pelo poder nos trouxe consequências catastróficas, uma factalidade para minha família, as cousas fugiram do controle e que “eles” tomaram controle da situação, sim, esses malditos demônios crioulos. Muitos dos meus negros estavam aqui a anos, famílias inteiras, trabalhavam na minha plantação e nesta residência, alguns pensavam em fugir, sem sucesso,  infelizmente mal chegavam na mata, eram pegos e levados para a parte inferior desta mansão, lá partíamos do princípio de corrigi-los e se não eram corrigidos, usávamos nos rituais, sacrificamos alguns desses crioulos, mas tudo sem o devido sucesso, infelizmente, para nosso infortúnio, algo tomou controle sobre essa residência, a paz que um dia houvera se esvaía como as horas, a cousa carcomia os gritos com uma fome incessante, se alimentava do nosso medo, os objetos  eram arremessadas contra nossos corpos, devido aos fatos recorrentes, minha esposa, Rosa, se enforcou em nosso quarto, nossos filhos foram levados antes para a capital norte-rio-grandense, ignorantes pelo ocorrido nada souberam, a única informação que tiveram da mãe foi que ele morreu de uma doença repentina. Minha vida quase foi tomada por essas forças, ainda vejo as sombras e o ar congelante que me perseguem, ainda sinto os olhares raivosos desses malditos, deixo aqui este livro e as demais páginas descritas nele como prova do que ocorreu e alguns dos rituais. Existe uma outra cópia deste manuscrito, e umas variedades a mais de cousas irão nos amedrontar pelo resto de nossa ínfima existência. Deixo aqui então, meus lamentos e toda minha família.
Orlando Silva

Obs.: Esta é apenas uma ficção, criado para uma adaptação de RPG em Daemon Trevas. 

terça-feira, 2 de julho de 2013

DESESPERO


O que dizer de um homem que reluta com seus demônios? Muitos vão critica-lo, vão dizer pra ele ir se cuidar, pois saúde mental é importante. E quando esses demônios são reais? Só quem acredita na existência do demônio, são cristãos, na maioria deles que já presenciaram algumas das mais diversas manifestações do maligno, na maioria deles, pecadores, afogados em seus próprios medos pelo desconhecido, buscando a santificação, combatendo com suas forçar e com sua fé as armadilhas do diabo.

Nenhuma outra crença acredita que em forças malignas espirituais. Acredita-se que tenha um mal, uma pequena parte do próprio ser humano, alguns psicólogos vão dizer que algo que está contido no inconsciente e que precisa saber o que é, enfim, eles não acreditam porque não veem esse mal espiritual.
Vou contar-lhes uma história, um tanto fictícia, mas baseada no relato real de certo homem que conheci, e que numa certa idade, não conhecia o pecado e nem acreditava no poder que o acusador tinha sobre nossas vidas, até o dia que o viu cara a cara.
Certo dia acordara bem cedo, pois diante dos porões de sua mente escura e vazia, se encontrava coisas absurdas de qualquer adolescente, não tinha receio das coisas, vivia pra se divertir e não pra conhecer, um garoto normal na flor da idade. Sempre corria com em favor do vento, sobre o calçamento ainda molhado da noite anterior, não tropeça e sim, deslizava sobre o chão. Enfim, jogando bola era um às, sempre era escolhido pelos colegas. Mas para tanto talento tinha suas deficiências, ele era um péssimo aluno, não prestava muito atenção nas aulas, gritava, esperneava e se agitava com os colegas em sala, mas estudar que é bom, nada.
Anos à frente, sempre se encontrando em maus lençóis em relação aos estudos, esse jovem rapaz clamava por seu deus, pedia-lhe conhecimento para passar nas provas, mas de tanto pedir e não agradecer, esse deus não ouviu seu clamor na última vez, foi quando ele, numa falta de fé, desiste e faz algo que mudaria completamente sua vida, assina um contrato amaldiçoado com seu próprio sangue e naquele ritual macabro, vende sua alma em troca de conhecimento. Seus dias passaram a ser mais interessados, depois daquelas provas, sabia de tudo, mesmo que tenha custado caro sua vida. Os anos foram se passando, ele estudou outras coisas além daquele conhecimento básico, artes arcanas e tudo mais referente à magia negra conhecida pelo homem, onde se afundara ainda mais na escuridão, vivendo dias hiperbóreos em sua gélida prisão do esquecimento.
Uma vez um homem me disse que para ser liberto de todos os males diabólicos, um homem precisa abrir seu coração a Deus e de forma misericordiosa Ele lavaria todos os seus pecados, mas, o que aconteceria se um determinado homem tivesse todos os pecados, legiões de demônios o usando de todas as maneiras, sugando toda a sua energia? Homem nenhum gostaria de sofrer o que esse homem sofreu. Dias e dias vivendo sobre o abismo, largado e sem nenhum arrependimento aparente até então...
Hoje em meio as cadeias infernais que o cercam, preso pelo negritude dos seus desejos, ele clama arrependimento e eis que uma luz desce até ele e parece que tudo o que ele tinha passado, as vozes que gritavam em seus ouvidos, tudo isso tinha sumido, triste engano. Quer saber algo, em tudo Deus permite que aconteça, mesmo que isso aplique a um homem que venha ter manifestações demoníacas. O coro celestial clama e a cada exaltação, o acusador grita suas inverdades, porém nem tudo que o demônio diz não é certeza, este conhece o agir e o falar de cada um, digo isso por experiência própria, seus pecados são expostos como numa feira de exibição, mesmo que tenha libertação e tenha sido lavado pelos pecados, o diabo conhece. Mesmo o mais santo dos crentes é tentado, assim como Jesus foi tentado. Mas o crente que conhece o abismo, como eu conheço, não gostaria de olhar diante dele novamente.

terça-feira, 7 de maio de 2013

O social ser...



Eis que lhes apresento o homem, não aquele homem que luta por seus ideais, que possui caráter e tem peito pra lutar por seus direitos, este é um herói, mas o homem que por direito de dizer que humano, porém um animal, um doente social, que busca uma luta que não é sua, que aceita condições que não lhe convém, que vive da opinião alheia, que acha que tem algum direito a ter opinião. O homem é um animal social, segundo o filósofo Aristóteles, quer dizer, a união entre os homens é natural, porque o homem é um ser naturalmente carente, que necessita de coisas e de outras pessoas para alcançar a sua plenitude. Essa união não significa que tenho que aceitar o casamento homossexual e a bancada evangélica no congresso, isso é uma conseqüência social, a humanidade sempre buscou o melhor pra si, puro egoísmo! O homem não é um animal social, é um animal egoísta. O que vejo em redes sociais, que é uma rede de informação e relacionamento social, para ser um veículo de preconceitos, onde o meu direito acaba onde começa o seu. Não quero enfatizar o homossexualismo e seus preconceitos com a sociedade, como também há o preconceito de um grupo ateísta com os religiosos em geral, essas coisas sempre existiram, sendo que nessa era do vazio, se você vacilar, pode ser preso por falar o que quer e isso é injusto. Sua liberdade de expressar é limitada, se tiver que se expressar que tenha cuidado com o que diz. O homem não é o animal político, que luta por direito de todos, mas por unicamente seus direitos. Estamos trancafiados, refém da sociedade, de pré-conceitos, vítimas dos “opiniosos”, a razão é uma ferramenta que os poucos seres pensantes ainda utilizam.

por Diogo Correia.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Apenas um sonho...



Estou aqui escrevendo o que pode ser apenas o relato de um sonho ou pesadelo na vida de alguém, não se pode dizer que não é real ou fantasia criada em uma mente, ou o que pode ser parte da psique de alguém, pode ser uma nova versão do complexo de Electra ou apenas um mal entendido, há muitas coisas em que eu posso acreditar e relatar do que aconteceu nesse breve sonho, mas não sei como acaba essa jornada...
Era uma manhã de verão, uma mulher caminha pela rua em direção ao mercado, muitas pessoas podem se encontrar neste lugar, muitos amigos e vizinhos, mas esta mulher estava ali só para presenciar e apreciar o que poderia ser o início de uma amizade. Ela estava no corredor de frutas e legumes, olha para o lado e observa uma garota de seus 20 e poucos anos, quase da mesma idade que seu único filho, se aproxima da garota e percebe algo de diferente, ela não sabe o que é, mas nota algo de especial. Faz uma tentativa de conversa, puxar certos assuntos e por incrível que possa aparecer (porque nem sempre acontece desse modo hoje em dia, as pessoas tendem a desconfiar das outras), as duas conversam coisas distintas e riem muito. Logo aquele encontro iria se tornar o inicio de uma bela e estranha amizade.
Em outro ponto da cidade, o rapaz, filho daquela mulher, passeia pelo parque e por um desvaneio do destino se esbarra com aquela garota que a mãe encontrou no mercado, a garota estava ali, sentada, aluada com os pensamentos e o rapaz se aproxima, após uma longa conversa e investidas, se apaixona por ela. Eles mantêm um casinho, todo final de semana se encontram, sem que a mãe e nem ninguém saiba quem é ela.
Em outra ocasião, ela se encontra com o marido dessa mulher que se tornara sua amiga, justamente no mesmo lugar onde ele trabalha, ela acabara de ser contratada, sendo com uma garota bonita e sexy, ele, um homem casado e com uma vida sexual bastante frustrada, pensa em se aventurar, não pensando nas conseqüências. Ele mantém um romance secreto com esta mulher que se tornou amiga de sua esposa e enamorada do filho.
A história por trás dessa história está em que a garota, protagonista desse sonho, é fruto de um acaso que a esposa tinha com outro homem. A esposa não sabia da existência dela, quando se passara pela cabeça que a mesma tinha morrido ao nascer e esta tinha sido arrancada da verdadeira existência e se tornado parte da vida de outra família, um tanto problemática.
E em certo dia, esta garota some dos olhos de todos, da esposa que é sua amiga, do esposo que é seu amante e de seu filho que é seu namorado, uma história bastante complicada. Esta garota, sem notícias por dias, aparece pela triste notícia que foi encontrada usando drogas, os três ficam preocupados e detalhe que estavam envolvidos com a mesma pessoa que era filha dessa mulher que teve um caso com outro homem no passado.
Histórias como esta acontece ou está acontecendo em alguma parte do mundo, famílias inteiras sendo destruídas ou se destruindo por erros cometidos no passado. Se parece até cena de uma novela ou de um programa sensacionalista, tudo isto foi obra criada por uma mente humana, não por uma mente doentia e vil, mas simplesmente criada, um sonho ou pesadelo. Os desejos humanos de acreditarem no que é real ou fantasia podem estar ligados a sua insegurança ou medo de se envolver e perder o ser amado, não sei se é a melhor interpretação a essa fato, mas sei que isto aconteceu dessa maneira pelo sonhador. O que realmente aconteceu com aquela garota que perdeu devidamente a vontade de existir, pode ser que ela tenha descoberto toda a história, toda a trama sem ao menos ter tido a noção do que estava realmente envolvida. O medo e a dor da existência se encontram na protagonista dessa história. O ser sente receio de sua existência quando busca e acredita que tudo o que viveu e construiu é uma farsa, um caminho de conto de fadas e se vê como um substrato de uma grão de mostarda perdido no universo. O que constrói tudo isso é o medo.
Quem sou eu? Sou apenas um relatador de sonhos, um explorador dos pensamentos, uma fagulha que analisa comportamentos, enfim, um detetive do conhecimento e das profundezas do ser...

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Um conto para o fim do mundo




Mais uma vez o andarilho noturno caminha para o desconhecido, louvando a dor e a angústia daquelas que sentem o desespero de um dia tudo acabar, tudo o que construíram ou não, o que conquistaram ou não, as paixões agora só são angústias para aqueles que sonham a partir de agora, o homem sente a dor de não ter encontrado respostas e eu sento diante do abismo e contemplo tudo isso.

Não sinto remorso, já caminhei por vários mundos, já me entoquei em várias ilhas, olhei a vários abismos. Um andarilho nunca está só quando está diante de seu abismo, encontra suas respostas, não as respostas da humanidade, mas suas próprias e quando pensa que não, se sente realizado, completo.

Não contemplo aqueles que contemplam a felicidade plena, pois essa nunca vai existir, a dor faz parte de nossa natureza e não uma mera ilusão, nós caímos sempre no mesmo buraco, mas sempre nos erguemos diante do abismo e gritamos que não desistirmos tão fácil, por isso o homem necessita do seu abismo.

Mas o que é o fim do mundo? É o fim de tudo? O fim das alegrias? Nada disso, o fim do mundo somente está naqueles que contemplam o fim, eu contemplo a dor e isso é bem diferente. Eu me sinto vivo perante a isso, meu espírito é livre para pensar dessa forma. O fim da raça humana só vai existir, quando destruirmos nosso próprio planeta, nossa própria raça e sua vida.

Ao andarilho que caminha entre mundo e entre as emoções alheias, entre discórdias do próprio ser, não aconselho caminhar entre as minhas palavras, mas entre suas próprias conclusões, o andarilho é um filósofo, indo em encontro ao desconhecido.

Não tenham medo, ainda não é o fim, ainda não há permissão...

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

La herencia Valdemar

Uma verdadeira obra prima baseada no universo de H.P. Lovercraft, que conta a história de Luisa Llorente, perita em tributação de construções antigas, se mudou para a misteriosa mansão Valdemar para coordenar um inventário de posse de bens, e desapareceu. Maximilian, presidente da companhia que Luisa trabalha, contrata os serviços do detetive Nicholas Tramel para encontrá-la. Mas esse não é o primeiro desaparecimento.

Para os que não conhecem este filme e nem as obras de Lovercraft é uma boa pedida, para os que já conhecem, apreciem.



Abraços do Andarilho.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

O LIVRO



MINHAS MEMÓRIAS ESTÃO muito confusas. Há até mesmo muita dúvida de onde elas começam; pois por vezes sinto imensuráveis vistas de anos se estendendo atrás de mim, enquanto que em outros momentos parece que o momento presente é um ponto isolado num infinito cinzento e sem forma. Não estou nem certo de como estou transmitindo esta mensagem. Enquanto sei que estou falando, tenho uma vaga impressão de que alguma estranha e talvez terrível mediação venha a ser necessária para suportar o que digo aos pontos onde desejo que ela seja ouvida. Minha identidade, também, encontrase incrivelmente toldada. Parece que sofri um grande choque: talvez devido a algum resultado monstruoso de meus ciclos de única e incrível experiência. Todos esses ciclos de experiência, naturalmente, emanam daquele livro dominado pelas traças. Lembro-me de quando o encontrei — num lugar mal iluminado próximo ao rio negro e oleoso onde as brumas sempre habitam. 
Aquele lugar era muito antigo, e as prateleiras cheias de volumes apodrecidos até o teto percorriam infinitamente quartos e alcovas internas, sem janelas. Havia, além disso, grandes pilhas informes de livros no chão e em caixas de madeira, e foi numa dessas pilhas que encontrei a coisa. Nunca lhe soube o título, pois as páginas iniciais estavam faltando; mas ele caiu aberto na altura do fim, e me deu um vislumbre de alguma coisa que deixou meus sentidos em polvorosa.
Havia uma formula — uma espécie de lista de coisas para fazer e dizer — que reconheci como sendo alguma coisa negra e proibida; alguma coisa que eu havia lido antes, em furtivos parágrafos de nojo e fascinação misturados, escritos pela pena desses antigos e estranhos guardiões dos segredos do universo cujos textos decadentes eu adorava assimilar. Era uma chave — um guia — a certos portais e transições com a quais místicos sonham e sussurram desde a juventude da raça, e que levam a liberdades e descobertas além das três dimensões e dos reinos da vida e da matéria que conhecemos. Por séculos não havia qualquer homem recombinando sua substância vital ou sabido onde encontrá-la, mas este livro era realmente muito antigo. Não era trabalho impresso, mas da mão de algum monge semi-louco, havia traçado aquela ominosas frases latinas em letras unciais de assustadora antigüidade.
Lembro-me de como o velho olhou-me de soslaio e riu à socapa, e fez um curioso sinal com a mão quando o levei embora. Recusou-se aceitar pagamento por ele, e só muito tempo depois eu soube por quê. Ao correr para casa por aquelas estreitas, tortuosas, brumosas ruas e beira-mar tive uma aterrorizante impressão de ser furtivamente seguido por pés suavemente calçados. As balouçantes casas centenárias em ambos os lados pareciam vivas com um frescor e uma malignidade mórbida — como se algum canal
maligno até então fechado tivesse abruptamente sido aberto. Senti que aquelas paredes e frontões ressaltados de tijolos orvalhados e caimento cheio de fungos e madeira — com janelas de grades cruzadas que lembravam olhos e me espionavam sorrateiras — mal poderiam desistir de avançar e me esmagar... mas mesmo assim eu só havia lido o menor fragmento daquela runa blasfematória antes de fechar o livro e leva-lo comigo. 
Lembro-me de como finalmente li o livro — com o rosto pálido, e trancado no quarto do sótão que de há muito eu devotava e estranhas buscas. A grande casa estava muito silenciosa, pois eu não me levantara senão depois da meia-noite. Acho que eu tinha uma família então — embora os detalhes sejam muito incertos — eu sei que havia muitos serviçais. Mas que ano era, não sei dizer; pois desde então tenho conhecido tantas eras e dimensões, e todas as minhas noções de tempo se dissolveram e se remoldaram. Era à luz de velas que eu lia — recordo-me do incessante pingar da cera — e carrilhões que soavam de vez em quando, de distantes campanários. Parece que eu acompanhava o soar daqueles carrilhões com peculiar atenção, como se eu temesse ouvir alguma coisa muito remota, um nota intrusa entre as demais.
Então vieram os primeiros ruídos na janela do dormitório, que ficava muito acima dos demais telhados da cidade. Veio quando eu murmurava em voz alta o nono verso daquele tratado primário, e percebi, entre meus tremores, o que aquilo queria dizer. Pois aquele que passa os portais sempre vence uma sombra, e nunca mais pode estar só. Eu havia evocado — e o livro era realmente tudo o que eu suspeitara. Aquela noite eu atravessei o portal para um vórtice de tempo e visão distorcidos, e quando a manhã me encontrou no quarto do sótão eu vi nas paredes, e nas prateleiras e nas gavetas o que nunca vira antes.
Nem nunca mais pude ver o mundo como o conhecera. Misturados ao cenário presente havia sempre um pouco do passado e um pouco do futuro, e cada objeto antes familiar agora pairava alienígena na nova perspectiva trazida pela minha visão ampliada. Daí em diante caminhei num sonho fantástico de formas desconhecidas e semiconhecidas; e a cada novo portal atravessado, menos eu podia reconhecer as coisas da estreita esfera a qual eu portanto tempo fora ligado. O que eu via ao meu redor, ninguém mais via; e comecei a ficar duplamente silencioso e recolhido para não enlouquecer. Os cães tinham medo de mim, pois eles sentiam a sombra exterior que jamais me abandonava. Mas eu ainda lia mais — às escondidas, livros e rolos esquecidos aos quais minha nova visão me levava — e avançava por novos portais do espaço, seres e padrões de vida através do núcleo do Cosmos desconhecido.
Lembro-me da noite em que fiz os cinco círculos concêntricos de fogo no chão, e postei-me de pé no mais interior, entoando a monstruosa litania que o mensageiro do Tártaro havia trazido. As paredes se derreteram, e fui varrido por um vento negro através de abismos de um cinza sem fim com os pináculos agudos de desconhecidas montanhas a quilômetros abaixo de mim. Depois de algum tempo houve uma profunda escuridão, e então a luz de miríades de estrelas formando estranhas constelações alienígenas. Finalmente vi uma planície verdejante bem abaixo de mim, e nela discerni as torres distorcidas de uma cidade construída em nenhum estilo que eu jamais tenha ouvido falar ou lido ou sonhado a respeito. Ao flutuar próximo a essa cidade, vi um grande edifício quadrado de pedra num espaço aberto, e senti um medo odioso tomar conta de mim. Gritei e lutei, e depois de um branco eu estava novamente em meu sótão, deitado sobre os cinco círculos fosforescentes no chão. No vagar daquela noite não havia mais estranhezas do que em muitas noites de vagares anteriores; mas havia mais terror porque eu sabia estar próximo daqueles golfos e mundos exteriores, mais próximo do que jamais estive antes. Portanto, portei-me com mais cautela com meus encantamentos, pois não tinha desejo de ser cortado de meu corpo e da Terra para abismos desconhecidos dos quais eu poderia jamais retornar... circa 1934)

H. P. Lovercraft

Fonte: "A Tumba... e Outras Histórias". Ed. Francisco Alves.

domingo, 4 de dezembro de 2011

O Homem e o Abismo

Sabe aquele momento em que nos encontramos em uma situação inesperada? Um homem em sua sã realidade jamais gostaria de passar por tais indagações, preso em um turbilhão de imagens e situações constrangedoras. Sua imagem não mais lhe pertence. Seus sonhos são de todos, menos seus. Qual homem suportaria viver em tal situação?
Diante da era digital, milhões fogem para as redes sociais em busca de abrigo para confortar seus egos, são religiosos, homens e mulheres de bem, promíscuos e amantes da informática. Todos conectados a uma rede de informações, muitas vezes esquecem a sua vida e passam a se preocupar com a dos outros.
O homem e meio as suas indagações, preso em seus concomitantes pensamentos sobre esse futuro mórbido da humanidade, presente a tais efeitos, questiona o presente desconstruído e sem nexo. O mundo está virado, não mais vivemos, somos engolidos pela máquina exuberante da mídia, de imagens problemáticas que nos causam desde invejas a vômitos mentais.
Preso a esta complexa rede, somos envolvidos e caminhamos passo a passo para um futuro desconexo e sem órbita. O homem está diante de seu abismo, buscando interesse e satisfação nas relações virtuais, nas falsas companhias, sem segredos, sem mistérios, consumido por falsos desejos.
Entre suas muitas perguntas, preso a essa teia, não se encontra mais religião, moralidade, ética, vontade, tudo isso é coisa do passado, ninguém tem mais respeito e nem se dá ao respeito, a falsa felicidade é mais forte que a realidade daqueles que buscam por dias melhores.
No final o homem se encontra vomitado sobre si, escarrado pela mídia, não se é mais quem quer que seja não se é o que se procura ser, não existe liberdade, o libre arbitrium é só uma fachada, não se engane, não existe mais nomes, o que existe é só uma pútrida existência.

Diogo Correia

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

SOLIDÃO E ISOLAMENTO

“Se você se sente só, é porque ergueu muros em vez de pontes” (Willian Shakespeare)

O que é a solidão para muitos hoje? Talvez uma fuga, um refúgio, uma saída do social. A solidão é o mal do século, não é de agora que os homens se isolam do mundo em busca das respostas que lhe afligem. A solidão dos poetas é o que os fazem criar versos tão fantásticos, que impressionam nossa imaginação. O artista é outro que cria várias obras que fascinam ou até o escritor que precisa se isolar do mundo para escrever suas obras. O que faz as pessoas se sentirem tão isoladas a ponto de não buscar o convívio social, de não encontrar mais a paz e se inebriar nas drogas, de se encontrar diante de depressões tão horríveis e quererem desistir da vida? O homem está sempre em busca de um complemento, do que é fantástico e extraordinário, não é toa que muitos se encontram em igrejas, por medo da solidão, buscam a completude em “Deus”.
            Como já dizia Arnaldo Jabor em sua crônica “Estamos com Fome de Amor”, citando Renato Russo ele diz: “Digam o que disserem, o mal do século é a solidão".  Como já havia dito, este é o mal que aflige a razão humana, não só neste século, mas em muitos. Festinhas de comemoração, belas garotas mostrando seus belos vestidos de forma fútil, garotos buscando na embriaguez, eis a solidão, tomando forma em nossas vidas.
            O que pode ser valoroso para alguns, é ruim para outrem. Muitos monges, inclusive os budistas, valorizam a solidão como virtude. Para Artur Schopenhauer, a solidão, a angústia, a dor, o sofrimento, é algo positivo, porque é o que nos faz sentir vivos, enquanto a felicidade é um mal agravante “porque não fazem senão suprimir um desejo e terminar um desgosto”. (SCHOPENHAUER, 1958)
            Isso nos mostra que a solidão não deve ser encarada somente como uma fuga, um isolamento, e sim como uma busca interior, do seu “eu”. Essa é uma ideia da qual não deve ser desconsiderada. Quando falo aqui em isolamento, não digo aquele do qual algumas pessoas se trancam em um quarto escuro e caem em depressão profunda – como existem casos como estes – e sim, o isolamento social, de se sentirem tão inferiores a qualquer pessoa, a ponto de dizer que sua existência é algo sem importância.
            A solidão é algo concomitante, ninguém se isola por nada, estamos sempre nessa busca pela completude, e quando nada nos preenche – inclusive amigos e familiares, pronto para nos ajudar – atrofiamos isso em nós e entramos em depressão profunda, essa não é uma saída, talvez algo para chamar a atenção – posso estar errado –, mas uma fuga, um isolamento de não querer encontrar respostas, de definhar em suas lágrimas e falecer fisicamente. O pensamento é de morte.
            Enfim, o homem está sempre em busca de respostas. A solidão é uma virtude, segundo os budistas; é um bem por nos fazer sentir vivos, segundo Schopenhauer. Se definirmos como algo fútil, encontramos nas redes sociais da internet pessoas sempre em busca de outra, ou até mesmo de falar aos quatro ventos que escolheu a solidão, porque essa é única saída. Existe um ditado Tibetano que diz que, se um problema é grande demais, não pense nele e se ele é pequeno demais, pra quê pensar nele? Nada é tão difícil que não possamos resolver, inclusive a solidão.

REFERÊNCIAS

SHOPENHAUER, Artur. Dores do Mundo. Tradução: A. F. Rocha. Ed Simões, 1958, Rio de Janeiro-RJ.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

INDAGAÇÕES DO ABISMO

Caminhando exausto em meus pensamentos, me vejo em um abismo sem fim, cheio de frustrações, raivas e algumas duvidas sobre a vida, o que a vida? quem sou eu? enfim, são perguntas sem fundamentos e sem respostas. Meus sonhos são de um âmago infundado onde abriga as verdades sobre quem sou, escondido através de imagens, não de palavras, o que digo não é importante, mas a cena que acontece. 

O que é a reposta da vida, senão a morte? quem pode definir o que é certo e o que errado, senão a moral e a ética de cada um? São tantas questões e só eu posso dar essas respostas, quem possui o mapa da minha vida, quem luta com meus demônios, quem sente raiva por essa casca todos os dias, é somente eu, então, ninguém deve interferir em minhas verdades, cada um faz suas escolhas, ninguém tem o direito sobre a vida de ninguém.

Mas o que posso mais refletir, senão pelo caminhar profundo de meus pensamentos, mais sórdidos, a solidão de quem se encontra nesse quarto escuro e sem vida, a luz não chega até aqui, mas não pra sempre que isso ocorre, é de vez em quando. Organizo meus pensamentos de acordo com minhas escolhas, não reluto com as idéias sem fúteis.

Já dizia o mestre Shopenhauer sobre a dor: "Se a nossa existência não tem por fim imediato a dor, pode dizer-se que não tem razão alguma de ser no mundo. Porque é absurdo admitir que a dor sem fim, que nasce da miséria inerente à vida e enche o mundo, seja apenas um puro acidente, e não o próprio fim."

A dor faz parte desse mundo, faz parte desse ser que sou, faz parte da vida, faz parte do prazer da existência, sem a dor, nada seria tão agradável, nada seria tão certo, não teria equilibrio. É certo que nem todos concordam, mas não me importo com a crítica in-pensada, mas a re-pensada sobre os verdadeiros valores. Não sou culpado por pensar assim, a vida se encarregou de me ensinar a parte prática, os valores éticos e morais da sociedade me ajudaram re-lutar e re-formar o que eu sou hoje, o ser existencial.

Por isso que a dor será de sentido positivo, "visto que se faz sentir", a grande angústia do homem em sua totalidade se chama felicidade, que satisfatóriamente é negativo, pois não traz senão a suprimissão de um desejo e término em um desgosto, pelas palavras do mestre. Não me ajoelharei perante o que as pessoas dizem o que as torna feliz, o certo é que, farei de acordo com os valores a qual foram concebidos aos meus pensamentos, a minha formação como personagem da vida, que as vezes cai em um abismo e que sempre sobe até o topo sem ter necessidade sobre o que as pessoas pensam sobre quem eu sou e o que devo fazer da minha vida.

Suprir a vida através do que se acredita.
                   A vida está por trás do reflexo do espelho. 
                                        Saia da Matrix e liberte sua mente.

Diogo Correia

domingo, 20 de fevereiro de 2011

ANGELICUM PRAESIDIUM


Alguém caminha pela rua quase escura, é uma noite de outono, o bairro fica praticamente deserto, não se uma alma perdida caminhando por esses arredores, cães latem, tudo ocorre como houve-se planejamento. Este Alguém é Adan Smith, um adolescente comum, estatura mediana, cabelo castanho espetado, olhos castanhos, ele usa calças largas como dos Rappers, jaqueta preta, camisa de alguma banda rock e um fone de ouvido ligado ao iphone, ele caminha despreocupado na rua. Horas antes Adan estava em casa deitado do seu quarto, enquanto sua mãe fazia o jantar e seu pai assistia ao jogo na TV, era bizarro porque nada de muito incomum acontecia naquele bairro, pessoas eram sempre abordadas por assaltantes e/ou atacadas por alguma gangue, era algo bem comum. O tédio se tornou um aliado, já que sua vida andava mesmo sem graça. Saiu do seu quarto, foi até a mesa na hora do Jantar, aquele silencio era confortante pra si. Assim que terminou pegou o iphone, colocou os fones e foi dar uma volta. O Vento frio, a noite iluminada somente pelos postes, a rua deserta, exceto por alguns gatos, e cães que ladravam.
Era certo que algo iria acontecer naquela noite, um pedaço de papel que estava voando cola no braço de Adan, ele não ignora e lê: “Te encontro no final da rua, não me deixe esperando”. Não havia assinatura. Certo que ele achava que não era pra ele, continuou andando sem preocupação. Alguns postes apagaram no local, achou que não era nada demais, a não ser, problemas com a afiação que causou um curto circuito, apagou por alguns segundos e voltou a iluminar, sendo que após acender, apareceu um homem de paletó com um sobretudo negro. O Homem era branco, um pouco loiro, cabelo liso e amarrado, rosto largo, usava um chapéu daqueles de filme de Gangster, era alto com seus 1,85m, e falava com um tom sério:
- Porque demorou tanto Adan?
Adan ficou perplexo, primeiro, como é que aquele homem surgiu no breu total? Segundo, como ele sabia seu nome? E terceiro, o tal bilhete que leu e depois o ignorou, nada fazia sentido, Quem era esse homem? O que ele quer?
Ele repetiu novamente a pergunta, Adan não sabia o que responder, estava perplexo demais pra dar uma resposta lógica e coerente. Respirou fundo e então perguntou:
- Nos conhecemos?
- Sim, como pode ter esquecido de seu anjo da guarda?
- Anjo da Guarda? Só pode ser piada né?
- Não é nenhuma piada, meu nome é Ezequiel, um anjo protetore, e estou aqui pra te avisar...
- Avisar sobre? – perguntou Adan.
- Há algum tempo, alguns mercadores de almas, por algumas fontes, descobriram por acaso que existia uma certa alma rara, que por acaso a detectaram, e é sua Adan. Eles virão no intuito de negociar sua alma em troca de mixaria. Abra os olhos, e quando vierem até você, faça uma oração que virei.
As luzes se apagaram, aquele breu tomou conta daquela parte onde ele estava, e as luzes voltaram, e aquele homem não estava mais lá. Tudo muito estranho e novo pra ele, uma alma rara? Quem diria, e ele achava que não valia mais que um saco de bosta. Mas acreditar naquele acontecimento? Talvez, foi tudo muito bizarro e impressionante.
Então ele decide voltar e lembrar-se do que tinha acontecido naquela noite.

domingo, 16 de janeiro de 2011

A Placa do Destino


Era um dia de segunda de manhã, havia poucas horas que tinha acordado, não tive um final de semana tão perfeito, fiz o que fazia sempre, saía pra beber com uns amigos e quem sabe dá umas paqueradas, afinal de contas, sou um homem solteiro. Bom, mas uma semana que chega e a busca incessante por um dia menos chato, não é toa que as pessoas bebem ou usam drogas, porque esse é um modo de fuga, fuga desse mundo tão conturbado. Soube que hoje vai ser mostrada numa exposição, uma placa de pedra, dizem que é de um tempo antigo e esquecido, não se sabe a época atual, e ninguém sabe se é realmente terreno, porém não há mais nada pra ser descoberto nesse mundo, às pessoas encontram coisas e então dizem que existe algum mistério por trás disso, que era dos povos antigos e seus mitos sobre a criação, tudo blábláblá, coisa de gente que não tem o que fazer, mas como depois do trabalho não tenho pra onde ir, acho que darei uma passada no museu para ver a tal placa.
Fiz uma pesquisa sobre a placa, entrei no site do museu, e estudei um pouco sobre, diz aqui que foi achado em uma caverna no deserto do Atacama no Chile, o arqueólogo que encontrou a placa, disse que o entrou em uma câmara imensa, parecia que o lugar era de um tempo esquecido, tinha uma linguagem estranha nas paredes, de uma língua que não era nenhuma das quais que conhecemos. O único que tocou na placa, que foi justamente o arqueólogo que encontrou, diz ter ouvido depois de ter tocado um uivo, que segundo ele, arrepiaram todos os pelos do seu corpo. Após chegar a Nova York, foi internado num sanatório. Não se sabe bem o que aconteceu, mas dizem que ele ainda diz ouvir o uivo dos demônios querendo arrancar a sua alma. Não sou psicólogo, nem fui estudante de psicologia, mas lembro de ter lido sobre um artigo falando sobre isso, mas talvez ele tivesse tendências e isso só foi um motivo pra ele expressar que estava senil. Pobre homem.
Não sou nenhum descrente, mas por via das duvidas, espero não tocar na tal placa. Sei também que ela vai estar bem protegida por uma caixa de vidro para que todos possam admirá-la, duvida um pouco sobre o pobre e louco arqueólogo, não gostaria de ficar pirado como ele, apesar de que se eu estudar muito todos os dias ficarei assim como ele, esquizofrênico.
Continua...

Diogo Correia